Il Messaggiere - Decreto de Milei proíbe entrada de estrangeiros que expressarem mensagens de ódio contra Argentina

Decreto de Milei proíbe entrada de estrangeiros que expressarem mensagens de ódio contra Argentina
Decreto de Milei proíbe entrada de estrangeiros que expressarem mensagens de ódio contra Argentina / foto: Luis ROBAYO - AFP

Decreto de Milei proíbe entrada de estrangeiros que expressarem mensagens de ódio contra Argentina

O presidente argentino, Javier Milei, alterou por decreto a Lei de Imigração para proibir a entrada de estrangeiros que expressem discurso de ódio contra o país sul-americano, uma medida que ainda precisa ser analisada pelo Congresso e que abre espaço para a discricionariedade, segundo especialistas.

Tamanho do texto:

A nova norma publicada na noite de quarta-feira (29) prevê a expulsão e o cancelamento da residência de estrangeiros que se envolverem nessas condutas.

O Congresso deve confirmar a validade do decreto que está em vigor enquanto avança o processo legislativo.

"O decreto não é claro e também não há certeza sobre o quanto é aplicável", disse à AFP Lucía Galoppo, advogada da equipe de trabalho internacional do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS).

Segundo o decreto presidencial, as medidas se aplicam àqueles que forem considerados culpados de "proferir discurso de ódio oralmente ou por escrito, ou incitar violência contra o povo argentino como um todo, ou contra qualquer cidadão argentino, motivado por sua nacionalidade".

"Ter cometido ou participado de atos de profanação de símbolos nacionais; ou ter incitado outros a cometer qualquer um dos atos previstos nesta seção", acrescenta o texto.

Entretanto, "não especifica o que é um discurso de ódio, como serão detectados, com qual critério e como serão determinados quem são os emissores desses discursos" para aplicar as sanções, afirma Galoppo.

"Tudo isso torna a aplicação difícil e discricionária, porque deixa brechas demais que o Estado poderia preencher com critérios arbitrários", acrescentou.

- "Campanha anti-Argentina" -

A Argentina é um país historicamente aberto à imigração, que garante igualdade de direitos em saúde, educação e moradia para seus residentes, assim como os direitos civis garantidos pela Constituição.

O presidente de direita decidiu pela medida depois de denunciar, dias antes, a existência de uma suposta "campanha anti-Argentina", para a qual não apresentou provas, mas que, segundo ele, é financiada pelos governos do Brasil e do México e pelo Partido Democrata dos Estados Unidos, em aparente referência às críticas que viralizaram nas redes sociais à margem da Copa do Mundo.

"Milei tenta capitalizar isso a seu favor em um momento em que as perspectivas econômicas não são boas para a maioria da população", explicou à AFP o cientista político e pesquisador da Universidade de San Martín Iván Schuliaquer.

O mandatário "aproveita um clima da sociedade para tirar proveito de algo que, em geral, não tem feito parte de seu projeto político", disse o especialista.

"Milei tem se mostrado muito contrário às agendas nacionais, por exemplo, tentando eliminar qualquer limite à compra de terras por estrangeiros e também priorizando suas viagens aos Estados Unidos e a Israel mais do que ao próprio interior da Argentina", analisou.

O possível cancelamento da residência "implica em ordem de saída do país dentro de um prazo determinado ou expulsão do território nacional", segundo o decreto.

O texto elucida que "em hipótese alguma" essas penalidades podem ser aplicadas a "manifestações de dissidência ideológica ou críticas políticas, acadêmicas ou cívicas que constituam exercício legítimo de direitos constitucionalmente garantidos".

A Argentina atravessa uma crise diplomática com o Brasil, depois que Milei participou da convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, no qual se referiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como "ladrão" e "presidiário".

I.Pesaro--IM