Advogados em Miami consideram Messi "cúmplice" da AFA em processo multimilionário
O advogado americano Ralph Patino, representando a promotora VID Music Group, afirmou nesta terça-feira (21) que o astro Lionel Messi é cúmplice da Associação do Futebol Argentino (AFA) em um processo multimilionário por quebra de contrato.
Patino, advogado com 35 anos de experiência, caracterizou a ação judicial da VID Music Group como um ato de responsabilização.
"A VID firmou um contrato para promover quatro partidas de futebol, duas em outubro e duas em junho", disse Patino durante uma coletiva de imprensa em Miami.
"O contrato estipulava a presença de Messi como participante ativo. Ele tinha que jogar 30 minutos de cada partida", acrescentou.
"O próprio contrato delineava as consequências no caso da ausência de Messi. O objetivo do processo é recuperar os danos resultantes do não comparecimento de Messi", sustentou o advogado.
O astro argentino, campeão da Copa do Mundo de 2022, se ausentou da primeira partida, contra a Venezuela, em 10 de outubro de 2025, sendo esse o principal motivo da ação judicial, apesar de ele ter jogado os 90 minutos completos na vitória por 6 a 0 sobre Porto Rico, três dias depois.
Ao ser questionado sobre o envolvimento direto de Messi no processo, Patino apontou para o princípio jurídico norte-americano de "sabia ou deveria saber".
"O Sr. Messi não assinou o contrato entre a AFA e o VID Group", observou Patino. "Existe uma cláusula fundamental no contrato na qual a AFA garante que Messi jogue, se analisarmos isso sob a ótica do direito contratual no que tange à quebra de contrato, Messi não possui qualquer responsabilidade".
"No entanto, dado que ele recebe remuneração da AFA para atuar nesta partida, e está treinando, participando da concentração da equipe pré-jogo e integra o elenco, o Sr. Messi já tem ciência de que possui a obrigação de jogar. E, caso não o saiba, certamente deveria saber. Portanto, ele é cúmplice das ações empreendidas entre ele próprio e a AFA".
O VID Music Group garantiu os direitos argentinos para as datas de jogos da Fifa em outubro passado, por um valor de US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 17,4 milhões na cotação atual) por partida, enquanto os jogos de junho tiveram seu preço elevado para US$ 5 milhões (R$ 24,9 milhões) cada um.
Javier Fernández, proprietário do VID Music Group, compareceu à conferência, embora não tenha feito qualquer declaração.
De acordo com a equipe jurídica, esta é a primeira ação judicial desse tipo movida contra a AFA nos Estados Unidos.
C.Abatescianni--IM