Il Messaggiere - Venezuela troca czar de investimentos, enquanto petroleiras dos EUA avaliam voltar

Venezuela troca czar de investimentos, enquanto petroleiras dos EUA avaliam voltar
Venezuela troca czar de investimentos, enquanto petroleiras dos EUA avaliam voltar / foto: Federico Parra - AFP/Arquivos

Venezuela troca czar de investimentos, enquanto petroleiras dos EUA avaliam voltar

A presidente interina da Venezuela designou Calixto Ortega, um banqueiro formado nos Estados Unidos, à frente da principal agência de investimentos do país, que antes era chefiada por um empresário colombiano, acusado de servir como testa-de-ferro do deposto Nicolás Maduro.

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Álex Saab deixa o Centro Internacional de Investimento Produtivo (CIIP), encarregado da captação de investimentos internacionais, dias depois de ser substituído como ministro da Indústria.

A nomeação se enquadra no que a presidente interina, Delcy Rodríguez, denomina como "novo momento político" e especialistas consultados pela AFP o veem como um aceno aos Estados Unidos em um momento em que petroleiras americanas avaliam voltar a investir na Venezuela.

Rodríguez assumiu o poder após a queda de Maduro, durante um bombardeio a Caracas ordenado pelo presidente americano, Donald Trump.

Sua administração começou com uma reviravolta na relação com Washington e mudanças no gabinete do governante deposto.

Calixto Ortega chefiará o CIIP, um cargo que se soma ao de vice-presidente da área econômica dentro do gabinete.

"Sua designação permitirá continuar com a captação de investimentos nacionais e internacionais para o sistema produtivo nacional nesta etapa de recuperação econômica", escreveu Rodríguez na noite de segunda-feira, ao anunciar sua nomeação, entre outras.

- "Esforços proativos" -

Ortega foi antes presidente do Banco Central da Venezuela e diplomata em Houston, centro da indústria de refino de petróleo dos Estados Unidos.

"A nomeação representa um esforço estratégico para revitalizar o setor energético da Venezuela e redefinir suas relações internacionais", disse à AFP Phil Flynn, analista do Price Futures Group. "É um aceno para a administração Trump de que a Venezuela quer jogar segundo as regras".

"Demonstra esforços proativos para atrair grandes atores internacionais, como Chevron e ExxonMobil", acrescentou. "Ao captar este tipo de investimentos, buscam aumentar de forma significativa a produção de petróleo bruto, com o potencial de dobrar ou inclusive triplicar os níveis atuais".

A Venezuela produz 1,2 milhão de barris atualmente, após ter caído a mínimos históricos em meio a sanções econômicas e anos de desinvestimento e corrupção na indústria.

Trump diz governar a Venezuela, que controla as vendas de petróleo bruto e que espera investimentos milionários no país.

Ele também expressou seu apoio a Delcy Rodríguez desde que se alinhe às suas exigências.

"Será necessária a experiência e o investimento de muitas empresas americanas para revitalizar a produção petroleira e gasífera do país", afirmou, por sua vez, Rob Thummel, gestor sênior de carteiras na Tortoise Capital.

Mas as empresas "vão requerer estabilidade e clareza política antes de fazer investimentos", reforçou. "Esperamos que este processo leve anos, não dias, nem meses, antes de se materializar".

A AFP pediu um comentário de empresas petroleiras como ExxonMobil, Chevron e Halliburton sobre a nomeação, mas não obteve resposta até o momento.

- Saída de Saab -

O colombiano Saab deixa, assim, o governo ao qual se incorporou em outubro de 2024, pouco após ser solto nos Estados Unidos como parte de uma troca de prisioneiros.

A justiça americana o acusava de lavagem de dinheiro.

Saab se vinculou ao governo venezuelano nos últimos anos da administração de Hugo Chávez (1999-2013), e chegou a gerenciar uma gigantesca rede de importações para o governo Maduro.

Ele era encarregado das importações de produtos que abasteciam o programa social de venda subsidiada de alimentos, conhecido como CLAP, alvo de denúncias de corrupção.

Foi detido em 2020 em Cabo Verde e extraditado para os Estados Unidos em outubro de 2021. A Venezuela qualificou a ação de "sequestro", enquanto o defendia como um "herói" que alimentou o país em meio às sanções internacionais.

V.Barbieri--IM