Lula revoga visto de diplomata dos EUA que queria visitar Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta sexta-feira (13), que "proibiu" a entrada no Brasil de um diplomata americano de alto escalão que desejava visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.
"E eu o proibi de vir ao Brasil", disse Lula durante um evento no Rio de Janeiro.
Uma fonte diplomática brasileira confirmou à AFP que o visto de Darren Beattie, assessor para o Brasil no Departamento de Estado do governo de Donald Trump, foi revogado nesta sexta-feira devido à "omissão de informações e mentiras sobre propósito da visita".
O Supremo Tribunal Federal (STF) lhe negou, na quinta-feira, uma permissão para visitar Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Beattie é uma autoridade de alto escalão do governo Trump que já manifestou apoio a Bolsonaro.
Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores alertou o STF de que "a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro".
Apesar de estar preso, Bolsonaro continua sendo uma figura central no cenário político ante as eleições presidenciais de outubro.
O ministro Alexandre de Moraes acatou o argumento do Ministério das Relações Exteriores e revogou sua decisão anterior que havia autorizado o encontro, solicitado pela equipe de defesa de Bolsonaro.
O governo brasileiro havia concedido inicialmente ao diplomata um visto para participar de um fórum sobre minerais críticos em São Paulo.
O ex-presidente designou seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como o candidato de direita para enfrentar Lula, que afirmou que buscará a reeleição.
Segundo a última pesquisa do Instituto Datafolha, os dois estão tecnicamente empatados em um possível segundo turno.
A controvérsia em torno de Beattie surge em um momento em que o governo federal pressiona Washington para que o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), as duas maiores facções criminosas do país, não sejam designados como organizações terroristas, segundo a imprensa local.
V.Barbieri--IM