Organizações humanitárias condenam ameaças de guerrilheiros a delegações na Colômbia
Organizações de defesa dos direitos humanos condenaram nesta quinta-feira, na Colômbia, as ameaças de guerrilheiros dissidentes das extintas Farc contra as comissões humanitárias da ONU, da OEA e da estatal Defensoria do Povo.
A organização liderada por Iván Mordisco, rebelde mais procurado na Colômbia, proibiu a entrada de membros dessas entidades em territórios sob seu domínio, devido a supostas "violações de confiança e neutralidade", segundo um comunicado.
A restrição "agrava" as condições de vida e "a situação de vulnerabilidade" da população civil em zonas afastadas, disse a defensora Iris Marín, que preside o órgão estatal responsável pela proteção dos direitos humanos. "Essa decisão viola o direito internacional humanitário."
A OEA negou as "acusações de falta de imparcialidade" envolvendo sua Missão de Apoio ao Processo de Paz e as insinuações de "um suposto vazamento de informações para favorecer ações militares".
O trabalho dessas missões "é fundamental para as comunidades", publicou no X a diretora da Human Rights Watch para as Américas, Juanita Goebertus, que chamou o governo colombiano a "garantir condições de segurança".
"Não há um milímetro do território colombiano que possa ser vedado por atores armados", declarou o vice-ministro do Interior, Gabriel Rondón.
Mordisco se afastou do acordo de paz com as extintas Farc em 2016. O governo do esquerdista Gustavo Petro negociou com suas fileiras por um ano, mas o guerrilheiro abandonou a mesa em 2024. Desde então, a violência contra a população civil aumentou, segundo observadores.
P.Conti--IM