Xi visita Coreia do Norte e promete levar relações a um 'novo patamar'
O presidente chinês, Xi Jinping, expressou a vontade de levar as relações com a Coreia do Norte a um "novo patamar", ao iniciar nesta segunda-feira (8) sua primeira visita em sete anos ao hermético país asiático, que possui armamento nuclear.
A China tem sido, ao longo de décadas, a principal aliada comercial da Coreia do Norte, com o fornecimento de apoio econômico e diplomático crucial a um país submetido a múltiplas sanções internacionais.
Ao chegar ao aeroporto de Pyongyang, Xi e sua esposa, Peng Liyuan, foram recebidos pelo líder norte-coreano, Kim Jong Un, e por sua esposa, Ri Sol Ju, entre aplausos e um tapete vermelho protegido por soldados, segundo a imprensa estatal chinesa.
Em algumas ruas da capital, bandeiras norte-coreanas e chinesas foram hasteadas lado a lado.
Esta é a primeira viagem ao exterior de Xi em 2026. Nas últimas semanas, ele recebeu em Pequim os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin.
A Casa Branca afirmou no mês passado que Xi e Trump "confirmaram o objetivo compartilhado de desnuclearizar a Coreia do Norte" durante o encontro de cúpula em Pequim.
Xi, no entanto, disse a Kim durante o encontro desta segunda-feira que está disposto a trabalhar em conjunto para levar as relações entre os países a um "novo patamar", informou a agência estatal de notícias chinesa Xinhua.
Os dois países deveriam fortalecer os intercâmbios "em matéria de diplomacia, aplicação da lei e assuntos militares", afirmou Xi.
- Potência nuclear "irreversível" -
Kim Yo Jong, a influente irmã de Kim Jong Un, afirmou, antes da chegada de Xi, que o programa nuclear de Pyongyang é "uma linha da qual não há retorno".
Minseon Ku, professora de Relações Internacionais da Universidade DePaul (Chicago, EUA), declarou à AFP que "provavelmente Pequim aceitou a Coreia do Norte como potência nuclear", mas que Xi exigirá de Kim "estabilidade acima de tudo".
Para Seong-Hyon Lee, do Centro Asiático da Universidade de Harvard, a política de Pequim está orientada a "garantir a durabilidade do regime", em vez de buscar sua desnuclearização.
"A estratégia regional da China se beneficia de um Estado tampão estável, fortemente armado e alinhado, que absorve a capacidade militar dos Estados Unidos e de seus aliados", comentou o professor à AFP.
Durante o primeiro mandato de Donald Trump, os Estados Unidos tentaram uma aproximação diplomática com a Coreia do Norte que acabou fracassando por divergências sobre o alcance da desnuclearização e o alívio das sanções.
Desde então, Pyongyang insistiu em diversas ocasiões que seu status de potência nuclear é "irreversível".
Ao mesmo tempo, o regime norte-coreano conquistou o apoio crucial da Rússia após enviar soldados para lutar ao lado das forças russas na Ucrânia.
Alguns analistas afirmam que a viagem de Xi pode buscar contrabalançar a crescente influência da Rússia sobre a Coreia do Norte, mas Minseon Ku discorda nesse ponto. "As relações de poder entre Moscou e Pyongyang são mais equitativas do que as de Pequim e Pyongyang. Moscou precisa de Kim para sua guerra na Ucrânia tanto quanto Kim precisa da troca de tecnologia e dos alimentos da Rússia", afirmou.
- "Sempre invencível" -
Em um artigo publicado no jornal estatal norte-coreano Rodong Sinmun, Xi assume o compromisso de uma cooperação mais estreita.
"Não importa como os tempos mudem ou como evolua a situação internacional, a amizade tradicional entre a China e a Coreia do Norte permanecerá sempre invencível", escreveu.
Xi se reuniu pela última vez com Kim em setembro do ano passado, quando convidou o líder norte-coreano e Putin para um desfile militar em Pequim por ocasião do 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.
T.Abato--IM