Il Messaggiere - Reuniões na Suíça lançaram 'bases muito boas' para acordo com Irã, diz Vance

Reuniões na Suíça lançaram 'bases muito boas' para acordo com Irã, diz Vance
Reuniões na Suíça lançaram 'bases muito boas' para acordo com Irã, diz Vance / foto: Anwar Amro - AFP

Reuniões na Suíça lançaram 'bases muito boas' para acordo com Irã, diz Vance

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou nesta segunda-feira (22) que a primeira rodada de negociações com o Irã, realizada na Suíça, lançou "bases muito boas" para alcançar um acordo final que ponha fim à guerra no Oriente Médio.

Tamanho do texto:

Na semana passada, os dois países assinaram um memorando de entendimento que estabeleceu as bases para as negociações, após quase 40 dias de ataques seguidos por semanas de um cessar-fogo violado com frequência.

A nova fase do diálogo começou no domingo, na Suíça, com o objetivo de alcançar em 60 dias um acordo final sobre questões como o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais contra Teerã. Esse prazo pode ser prorrogado.

"O acordo final é a casa. Ainda não a construímos, mas lançamos uma base sólida para alcançar um bom resultado para o povo americano", disse Vance a jornalistas no luxuoso resort Burgenstock, perto de Lucerna, nos Alpes Suíços, onde acontecem as negociações.

O vice-presidente afirmou, por exemplo, que o Irã concordou com o retorno dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"Este é um marco importante para o povo americano e o primeiro passo rumo à desnuclearização permanente", disse ele.

Teerã, que não confirmou a informação, suspendeu sua cooperação com a agência da ONU há um ano e proibiu seus inspetores de acessarem instalações nucleares importantes bombardeadas pelos Estados Unidos e Israel durante a guerra de 12 dias em 2025.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, declarou nesta segunda-feira que houve "uma discussão muito breve sobre a questão nuclear, mas nenhum detalhe foi discutido" e que as negociações sobre o assunto ainda não começaram.

- "Avanços promissores" -

Nas semanas e dias que antecederam as reuniões entre Irã e Estados Unidos, repetidos confrontos no Líbano ameaçaram inviabilizar as negociações, com ameaças iranianas de bloquear novamente o Estreito de Ormuz.

O acordo estabelece a interrupção das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, uma das principais exigências de Teerã.

Os líderes israelenses, no entanto, expressaram discordância com o texto e insistem que suas tropas continuarão ocupando o sul do Líbano, onde combatem o movimento pró-Irã Hezbollah.

Paquistão e Catar, como países mediadores, afirmam que Teerã e Washington estabeleceram canais de comunicação para conter as hostilidades em território libanês e manter o Estreito de Ormuz aberto.

No início da guerra, o Irã fechou essa via navegável, por onde antes passavam 20% dos hidrocarbonetos do mundo, o que impactou severamente a economia global.

Os preços do petróleo chegaram a mais de 126 dólares por barril, o nível mais alto em quatro anos. Nesta segunda-feira, no entanto, o preço do petróleo Brent, referência internacional, era negociado abaixo de 80 dólares por barril.

Na frente libanesa, foi estabelecida uma célula de gestão de conflitos no país, onde não foram relatados ataques ou combates israelenses na manhã desta segunda-feira.

Desde 2 de março, as operações israelenses no Líbano mataram 4.106 pessoas, segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde libanês. No mesmo período, o Exército israelense relatou a morte de 36 soldados.

"A incansável mediação do Paquistão e do Catar facilitou avanços promissores rumo ao fim da guerra no Líbano", comentou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, após a reunião na Suíça.

"As exportações de petróleo e produtos petroquímicos estão isentas, o embargo foi suspenso, alguns ativos congelados foram liberados e um importante plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã foi lançado", acrescentou Araghchi sobre os acordos.

JD Vance, no entanto, prometeu que seu país garantiria que o descongelamento dos ativos "não contribuirá para financiar o terrorismo".

T.Abato--IM