Il Messaggiere - Com dificuldades, Flávio Bolsonaro oficializa candidatura à Presidência

Com dificuldades, Flávio Bolsonaro oficializa candidatura à Presidência
Com dificuldades, Flávio Bolsonaro oficializa candidatura à Presidência / foto: Vitor SOUZA - AFP

Com dificuldades, Flávio Bolsonaro oficializa candidatura à Presidência

Em meio a uma série de crises políticas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou oficialmente sua candidatura neste sábado (25) para desafiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro, durante a convenção do partido de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em São Paulo.

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Enquanto aguardava a chegada do presidente ultraliberal argentino, Javier Milei, como convidado, o Partido Liberal iniciou seu evento diante de mais de mil apoiadores para indicar Flávio Bolsonaro como seu candidato, que subiu ao palco em meio a aplausos.

O senador, de 45 anos, enfrentará o presidente Lula que, aos 80, busca a reeleição.

"A gente gostaria que o nosso candidato fosse Jair Bolsonaro, mas hoje o Flávio é a opção mais acertada para levar adiante o nosso país", disse à AFP Fernando Moeno, um policial militar aposentado de 50 anos presente no comício.

Vestindo camisas da Seleção brasileira, que os apoiadores de Bolsonaro adotaram como símbolo, os simpatizantes tocaram tambores e agitaram bandeiras em um galpão próximo ao estádio do Pacaembu, em São Paulo.

Escolhido como sucessor por seu pai após a prisão deste por tentativa de golpe de Estado, Flávio Bolsonaro se apresenta aos eleitores como a chave da "mudança" para evitar um quarto mandato não consecutivo de Lula.

"Estamos em um avião sem piloto", disse ele na semana passada.

Apesar de ter conseguido empatar com Lula nas pesquisas em março, após reduzir a vantagem do adversário em 15 pontos, Flávio perdeu força nas últimas semanas: uma pesquisa publicada na sexta-feira pelo Datafolha apontava 43% das intenções de voto para Flávio no segundo turno, contra 48% do seu rival.

"O momento é de enfraquecimento, (...) há uma incerteza enquanto à viabilidade da candidatura porque a rejeição ao Flávio subiu", disse à AFP Marco Teixeira, professor de Ciência Política da Fundação Getulio Vargas.

- Do banqueiro à madrasta -

A má fase começou quando o site Intercept Brasil revelou, em maio, mensagens que Flávio Bolsonaro enviou a Daniel Vorcaro, um banqueiro preso por um escândalo de fraude financeira, pedindo dinheiro para financiar um filme sobre seu pai.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça ordenou, na quinta-feira, uma investigação sobre as transferências de Vorcaro para o filme "Dark Horse".

Outra frente se abriu dentro de sua própria família em junho, quando sua madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), reclamou nas redes sociais da "humilhação" que ele lhe infligiu: "Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone".

A ex-primeira-dama é fundamental para conectar o movimento de Bolsonaro com o eleitorado feminino e evangélico.

Flávio divulgou um vídeo na quinta-feira pedindo desculpas a ela, que o aceitou.

"Acontece em qualquer família, o poder da Michelle cresceu muito e isso gerou uns ciúminhos naturais", disse à AFP Maria de Almeida, uma aposentada de 63 anos que compareceu à convenção do partido sem a presença de Michelle Bolsonaro.

Por outro lado, o evento contará com Milei, figura proeminente da direita latino-americana, que teve seu pedido de visita a Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, negado pela Justiça brasileira.

Em julho, Flávio Bolsonaro também foi impedido de visitar seu pai por três meses.

Em mais um revés, Flávio questionou a confiabilidade do sistema de votação eletrônica na terça-feira, utilizando argumentos semelhantes aos que levaram à inelegibilidade do pai.

- Tarifaço -

Lula fez das tensões com os Estados Unidos um tema central de sua campanha, atacando seu rival como um "traidor" que apoia as medidas comerciais do governo Trump contra o Brasil.

Os Estados Unidos impuseram duas rodadas de tarifas sobre produtos brasileiros neste mês, após uma taxa inicial imposta em 2025 em retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro, aliado de Trump.

Essa primeira sanção, promovida em Washington por Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, foi parcialmente revertida após negociações entre Lula e seu homólogo americano.

Em resposta às novas tarifas, Flávio Bolsonaro pediu, sem sucesso, ao governo Trump que adiasse a medida até depois das eleições, para não dar a Lula uma "vitória política".

E.Colombo--IM